“Nada em biologia faz sentido a não ser à luz da evolução.”

(Theodosius Dobzhansky)

Não é possível entender o ser humano sem entendermos nossa ancestralidade animal. E a melhor maneira de entender os animais é compreendendo suas relações de parentesco. Por isso cladogramas são tão importantes, não apenas na ciência e na divulgação científica, mas como uma ferramenta fundamental ao nosso auto-conhecimento.

Cladogramas

Metazoa
Cladograma mostrando as relações de parentesco entre os diferentes filos animais. Algumas relações são mais bem estabelecidas, enquanto outras ainda permanecem hipotéticas (linhas tracejadas).

Na árvore abaixo, clique no grupo desejado para ver sua árvore filogenética. Alguns grupos têm duas árvores.

cladograma de Metazoa/Animalia
Clique nos nomes dos táxons para ver cada cladograma. Alguns táxons (Arthropoda, Crustacea, Diptera e Metazoa) apresentam dois cladogramas, um de cada lado do nome. Os links em verde mostram as convenções usadas. (Esses desenhos foram o início de um estudo sobre representação compacta de informação ecológica em cladogramas. Ver o software Cleco abaixo, que estende a ideia.)

Abelhas Brasileiras

As mais de 1500 espécies “conhecidas” de abelhas brasileiras são divididas em 5 famílias: Andrenidae, Apidae, Colletidae, Halictidae e Megachilidae, com suas respectivas subfamílias, tribos e subtribos indicadas na figura (fonte: Silveira, F.A.; Melo, G.A.R.; Almeida, E.A.B.; Zagonel, M.F.S. 2002. Abelhas Brasileiras: sistemática e identificação. Belo Horizonte, edição dos autores). A largura de cada “fatia” e o tamanho da abelha representante são proporcionais ao número de espécies de cada grupo.

A subtribo Meliponina, destacada em vermelho, contém as chamadas “abelhas nativas sem ferrão”, ou simplesmente “abelhas sem ferrão”, um grupo de abelhas eussociais (formam colônias numerosas, com divisão reprodutiva e de tarefas). Dada sua abundância e diversidade na fauna brasileira, e também sua atividade durante todas as estações do ano (ao contrário das abelhas solitárias), são importantes polinizadoras tanto de plantas silvestres como cultivadas, contribuindo na quantidade e na qualidade dos frutos. Quanto ao comportamento, os grupos na figura estão classificados pela cor externa do círculo: vermelho, eussociais; laranja, desde espécies solitárias a eussociais, passando por diferentes níveis e tipos de comportamento social; azul, solitárias; rosa, parasitas.

No início do texto, coloquei “conhecidas” entre aspas, pois muitas espécies foram apenas descritas, isto é, temos o nome científico e um ou alguns exemplares alfinetados em coleções entomológicas. Ou seja, para muitas espécies, não sabemos nada sobre dieta, reprodução, hábitat, comportamento, fisiologia, sazonalidade, desenvolvimento... E há um grande número de espécies que ainda sequer foram descritas.

Arvorizar

Programa voltado para o desenho de cladogramas “artísticos”, ou seja, apresentando linhas com curvatura suave no lugar das linhas retas encontradas na maioria dos artigos científicos. O primeiro passo é acrescentar os nós/clados de forma hierárquica na janela à direita, definindo ao mesmo tempo sua posição preliminar no painel maior, à esquerda. Depois pode-se (ou não) acrescentar o número de espécies em cada nó (que se reflete na espessura dos ramos da árvore, segundo diferentes funções matemáticas ajustáveis). Acrescenta-se então imagens a cada clado no painel maior à esquerda, ajustando sua posição, tamanho e rotação, e ajustando também a posição dos clados até que a forma definitiva da árvore seja alcançada. O processo é salvo automaticamente no “localStorage” do navegador (preferencialmente Firefox), de forma que o trabalho realizado entre uma sessão e outra não seja perdido. O trabalho também pode ser exportado num arquivo CSV e retomado mais tarde, na mesma ou em outra máquina. Finalmente, exporta-se o produto final para um arquivo PNG, que pode sofrer um processo de arte final num editor de imagens como Gimp, Krita ou Photoshop.

Árvore da Vida: Angiospermae

Árvore evolutiva (cladograma) mostrando as prováveis relações de parentesco entre algumas das plantas com flores (angiospermas) mais conhecidas. Em preto, ordens e outros grandes grupos; em cinza, famílias; em verde, nomes populares das espécies de cada família. As imagens ilustram a espécie sublinhada mais próxima. O tamanho das letras, bem como a espessura dos ramos, reflete a diversidade (número total de espécies) em cada grupo.

Árvore da Vida: Mammalia

Árvore evolutiva (cladograma) mostrando as prováveis relações de parentesco entre os principais grupos de mamíferos. Em preto, o nome científico; em vermelho, o nome em chinês; em verde escuro, o pinyin (som dos caracteres chineses); em verde claro, o significado dos caracteres chineses. Cada caracter chinês é traduzido apenas uma vez na imagem inteira, formando uma espécie de quebra-cabeças.

Cleco beta

Cleco é um termo formado da união das palavras Cladística e Ecologia. Cladística é a principal escola da filogenia. Sua principal diferença em relação às demais escolas é considerar que um grupo de organismos só pode receber um nome formal (formado de radicais latinos ou gregos) se esse grupo incluir todos os descendentes de um ancestral comum, e apenas esses descendentes. Chamamos esse grupo de “clado”. O objetivo em Cleco é resumir e visualizar informações ecológicas (dieta, hábitos reprodutivos, hábitat...) e geográficas (países e continentes onde uma espécie ou clado é encontrado) e anotá-las na própria árvore evolutiva. Para isso, usamos letras para anotar informações geográficas, e caracteres chineses para informações ecológicas. Isso permite buscas, filtros e outras análises, além de “decodificar” os símbolos usados apenas colocando o cursor do mouse sobre eles.

Cleco alfa

Primeira tentativa de implementar o programa Cleco.